quarta-feira, 23 de março de 2011

Pêra a R$ 2,00, pêra a R$2,00...

Feirante de fim de feira vendendo seu peixe, ou melhor, laranja pêra.



Toda quarta-feira é dia de feira aqui no Pechincha, bairro onde eu moro na zona oeste do Rio de janeiro. Além da tradição em oferecer uma variedade de produtos fresquinhos e quem sabe mais baratos que a concorrência, estes locais improvisados geralmente nas pracinhas são uma diversão à parte, isso graças aos feirantes marqueteiros de plantão.
É uma tal de mandioca que derrete pra cá, abacaxi doce como o mel pra lá, os mantras leguminosos que saem mecanicamente das bocas mais cansadas, sem falar no meu local preferido, a disputadíssima barraca de pastel e caldo de cana do Jailson, ainda não descobri quem  é, mas o nome dele ta lá.
Nos fundos dessa barraquinha tem uma Kombi estacionada que além de transportar o Jaílson e sua turma, na hora do expediente funciona como hospedeira de um motor que esmaga a cana e a transforma naquele caldo gelado e gostoso que a gente tanto gosta. Um pouquinho mais pra frente, mas ainda fora do toldo por motivos óbvios, tem um senhor suando em bicas fritando os pastéis em frente a uma panela gigante de óleo, onde o calor deve chegar a uns 200 graus Celsius, sem contar os 40 do verão carioca.
Para atender os famintos como eu que se aglomeram na barraca, a turma capricha na simpatia e nos mimos, sim porque eles não podem ver um copo vazio que lá vem mais um chorinho. Um deles tem a voz e sotaque parecidos com a do Falcão, o cantor brega.
 O pastel que eu mais gosto é o de queijo. O formato dele é retangular assim como a camada fina de queijo que vai dentro, desta forma o queijo adere ao pastel sem ficar amontoado como já vi por aí. Simples, quentinho e delicioso.
Quando observo as pessoas comendo os seus pastéis ali ao meu lado sempre escuto um hummm de satisfação entre uma mastigação e outra. Gosto de imaginar que neste micro instante em que as papilas estão reconhecendo todos os sabores que estão chegando, que tudo mais foi esquecido, as contas atrasadas, a falta de educação no trânsito, o lixo nas ruas de uma cidade tão bonita, o tingimento de cabelo que não deu certo, o desemprego...
Esse momento pode ter acabado, mas o que ficou foi a tirada final do senhor da barraca de frutas e verduras em frente. Cansado, como se já não acreditasse mais na própria venda, ele repetia baixinho como quem fala pra si mesmo, a promoção de laranja pêra a R$ 2,00, assim mesmo: Pêra a R$2,00, pêra a R$2,00. Até a hora em que uma mulata cheia de si passou em sua frente o slogam sofreu uma discreta mudança.
- Pêra a R$ 2,00, pêra a R$ 2,00 aiaiaiuiuiui!!


sexta-feira, 18 de março de 2011

Vão ter que malhar as pernas!

Cordinha puxada, ônibus não parou, povo gritou. Depois que parou, ambulante lançou, a pérola que irritou.


A bordo do 269 em direção ao centro absorta em meus pensamentos. Chove na linha amarela e alguém pede o preço da jujuba.
Chego na Cinelândia e guardo meu guarda-chuva de bolinha.