Conversas Cortadas
Malandragem na esquina, busão lotado, marketeiros ambulantes,carnaval, filas, balconista de padaria, boteco de subúrbio, transeuntes, celular, brigas, futebol, amizade, violência, calor, águas de março, samba, buzina, pastel de feira, caos, beleza. Aqui está um pouquinho do Rio que escuto por aí.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
Dia de São Jorge
Hoje é comemorado o dia de São Jorge, eu não sei quem ele é, mas meu pai se chama Jorge. Aqui no Rio muitos são os devotos. O que eu não entendi, e por isso dei uma procurada de leve na internet, é porque soltam fogos às 5 da manhã, é para acordar a mim e aos cachorros da vizinhança é? Com todo respeito.
Até agora essa foi minha unica resposta, mas imagino que seja algo mais transcendental que o meu mau humor...
Até agora essa foi minha unica resposta, mas imagino que seja algo mais transcendental que o meu mau humor...
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Bebe o leite e esquece a cor da vaca
Num Bar de Madureira, numa sexta ou segunda-feira qualquer...
- ô Dema, traz duas cerva e quatro copos aquiã?
- Psiuu, ô amigo. Preciso de mais duas cadeiras.
- Calma, grita o garçom insolente, eu sou humano não sou máquina!
Não bastasse o burburinho de conversas alheias, a força do pulmão do garçom, e as músicas geralmente de gosto duvidoso escolhidas pelos clientes naquelas máquinas contraventoras, uma moça da mesa lá de fora tenta se comunicar com um senhor miúdo de toalhinha no ombro escorado no balcão.
- Ei senhor, senhooor, aquele espetinho ali é seu?
- Sim, respondeu o senhor miúdo depois de tomar o último gole de cerveja.
- Tem de quê?
- O quê?
A moça vai ao seu encontro e o interroga em frente à churrasqueira.
- Que carnes são essas?
- É de vaca e frango.
- Sim, mas quais são as partes desses animais que estão aqui no fogo?
- É pá, xã e sobre coxa.
- ???
- Vou querer essa aqui, mas bem passada.
- A senhora é do sul né?
- Sim, como é que você sabe? Perguntou de boba que é, pois o sotaque não nega suas raízes gauchescas, apesar de a maioria achar que ela era paulista.
- É que a senhora fala errado, comentou o atrevido senhor miúdo de regata branca, toalha no ombro e de papete nos pés.
- O quê? Como assim falo errado?A moça nesse momento demonstrou um sorriso de curiosidade pela resposta.
- É que a senhora falou caRne.(pronúncia Tarcisio Meiristica)
- E como é o certo?
- É carhhhni. (sotaque carioca)
De volta à mesa do bar a moça vai comendo o espetinho e ainda achando graça.Ela não confessou para o senhor miúdo, mas sempre soube que ele não era carioca,caso contrário,por que todos o chamavam de Ceará?
Os modos ligeiros do garçom insolente esbarram na moça que passava.Pedido de desculpas aceito, ele retorna a esfregar freneticamente um pano sobre a mesa,enquanto aconselha o bêbado sentimental ali sentado.
Os modos ligeiros do garçom insolente esbarram na moça que passava.Pedido de desculpas aceito, ele retorna a esfregar freneticamente um pano sobre a mesa,enquanto aconselha o bêbado sentimental ali sentado.
- Bebe o leite, rapaz! Bebe o leite e esquece a cor da vaca.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Pêra a R$ 2,00, pêra a R$2,00...
Feirante de fim de feira vendendo seu peixe, ou melhor, laranja pêra.
Toda quarta-feira é dia de feira aqui no Pechincha, bairro onde eu moro na zona oeste do Rio de janeiro. Além da tradição em oferecer uma variedade de produtos fresquinhos e quem sabe mais baratos que a concorrência, estes locais improvisados geralmente nas pracinhas são uma diversão à parte, isso graças aos feirantes marqueteiros de plantão.
É uma tal de mandioca que derrete pra cá, abacaxi doce como o mel pra lá, os mantras leguminosos que saem mecanicamente das bocas mais cansadas, sem falar no meu local preferido, a disputadíssima barraca de pastel e caldo de cana do Jailson, ainda não descobri quem é, mas o nome dele ta lá.
Nos fundos dessa barraquinha tem uma Kombi estacionada que além de transportar o Jaílson e sua turma, na hora do expediente funciona como hospedeira de um motor que esmaga a cana e a transforma naquele caldo gelado e gostoso que a gente tanto gosta. Um pouquinho mais pra frente, mas ainda fora do toldo por motivos óbvios, tem um senhor suando em bicas fritando os pastéis em frente a uma panela gigante de óleo, onde o calor deve chegar a uns 200 graus Celsius, sem contar os 40 do verão carioca.
Para atender os famintos como eu que se aglomeram na barraca, a turma capricha na simpatia e nos mimos, sim porque eles não podem ver um copo vazio que lá vem mais um chorinho. Um deles tem a voz e sotaque parecidos com a do Falcão, o cantor brega.
O pastel que eu mais gosto é o de queijo. O formato dele é retangular assim como a camada fina de queijo que vai dentro, desta forma o queijo adere ao pastel sem ficar amontoado como já vi por aí. Simples, quentinho e delicioso.
Quando observo as pessoas comendo os seus pastéis ali ao meu lado sempre escuto um hummm de satisfação entre uma mastigação e outra. Gosto de imaginar que neste micro instante em que as papilas estão reconhecendo todos os sabores que estão chegando, que tudo mais foi esquecido, as contas atrasadas, a falta de educação no trânsito, o lixo nas ruas de uma cidade tão bonita, o tingimento de cabelo que não deu certo, o desemprego...
Esse momento pode ter acabado, mas o que ficou foi a tirada final do senhor da barraca de frutas e verduras em frente. Cansado, como se já não acreditasse mais na própria venda, ele repetia baixinho como quem fala pra si mesmo, a promoção de laranja pêra a R$ 2,00, assim mesmo: Pêra a R$2,00, pêra a R$2,00. Até a hora em que uma mulata cheia de si passou em sua frente o slogam sofreu uma discreta mudança.
- Pêra a R$ 2,00, pêra a R$ 2,00 aiaiaiuiuiui!!
sexta-feira, 18 de março de 2011
Vão ter que malhar as pernas!
Cordinha puxada, ônibus não parou, povo gritou. Depois que parou, ambulante lançou, a pérola que irritou.
A bordo do 269 em direção ao centro absorta em meus pensamentos. Chove na linha amarela e alguém pede o preço da jujuba.
Chego na Cinelândia e guardo meu guarda-chuva de bolinha.
A bordo do 269 em direção ao centro absorta em meus pensamentos. Chove na linha amarela e alguém pede o preço da jujuba.
Chego na Cinelândia e guardo meu guarda-chuva de bolinha.
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